Quem Estou?
Quem você está agora, nesse momento da sua vida?
Como se sente?
Quais são suas dúvidas profissionais?
Quais são os seus sonhos?
Quais são os seus desafios?
Quem estou?
Creio que ao responder “quem sou eu”, já tenha respondido um pouco dessa questão, então tentarei não repetir e falar mais de quem estou.
Estou em um momento de dúvidas na minha vida. Quem estou, está diretamente relacionado com as minhas dúvidas profissionais, com meus sonhos, com os meus desafios e com os meus sentimentos. Tudo está entrelaçado e é difícil fazer uma distinção, mas tudo se resume em dúvidas, frustrações, realizações, esperanças e sonhos.
Formei-me há oito meses em psicologia e sempre tive o sonho de poder trabalhar na área que gosto e conseguir conciliar com a minha outra profissão: atriz. Como fazer isso se a maioria dos trabalhos são de 40 horas semanais e alguns, inclusive, se trabalha aos finais de semana?
Adoraria não depender de dinheiro, mas preciso me alimentar e no mundo em que vivemos sem dinheiro não se consegue nem comida. Aliás, esta questão me incomoda muito! A maioria das pessoas tem que trabalhar muito, muitas vezes em empregos que anulam seu ser para conseguirem sobreviver, mas a sobrevivência não é um direito de todos? O abrigo e o alimento não são direitos naturais? Se forem, porque existem tantas pessoas que dormem nas ruas, que ficam sem comer durante dias ou pessoas que trabalham apenas para comer?
É interessante como as pessoas sempre separam a vida em profissional e em pessoal, como se as duas estivessem dissociáveis. Sendo que na verdade elas fazem parte da mesma pessoa. Eu mesma utilizo estes termos por escutar tantas vezes as pessoas a repetindo, mas porque o fazem? Exatamente por se sentirem obrigadas a trabalharem e se anularem no trabalho. E por tentarem ser elas mesmas na “vida pessoal”. Não quero viver assim, quero algo onde possa ser eu mesma em todos os momentos da minha vida.
O trabalho deveria ser gratificante, um lugar onde a pessoa se sinta bem e o dinheiro seja apenas uma conseqüência e não o motivo de se trabalhar.
É através dessas crenças que tento não me anular e assim brigar contra o sistema capitalista “selvagem”. Quero poder fazer o que gosto, trabalhar em algo que possa ajudar outras pessoas, quero poder me expressar através da arte e o dinheiro que vier disso, que seja uma conseqüência e quem sabe eu possa, inclusive, poder comprar um prato de comida para alguém que esteja sem comer a dias? Ou melhor: poder dar um emprego digno a alguém, onde ela se sinta bem e assim possa multiplicar este bem estar?
Moro em uma cidade, São Paulo, enlouquecedora. As pessoas não se olham nos olhos, se empurram, xingam no trânsito, homens se aproveitam de mulheres nos transportes públicos, carros não dão preferência para pedestres e se você cumprimentar um desconhecido na rua a própria pessoa estranha e te ignora. Já pensaram que diferença faria se cada pessoa trabalhasse no que gosta, sem pensar no dinheiro? Talvez este quadro também se modificasse um pouco.
Quem estou? Estou inconformada com a realidade social, com os desprezos das pessoas, do estresse da cidade, da falta de solidariedade, da falta de tolerância com as diferenças, com a injustiça, com o fato de ter medo dos policiais, quando eu deveria poder confiar neles. Inconformada com milhares de pessoas passando fome no mundo e outras tantas desperdiçando comida, inconformada com os feirantes que ao invés de doarem as frutas que sobraram, as jogam no chão. Estou inconformada com o egoísmo de algumas pessoas, com o egocentrismo, com o etnocentrismo. Inconformada com o desmatamento, com a extinção de espécies e culturas. Inconformada com a violência em todos os graus, desde um “tapinha” no filho até devastações de cidades e países. Inconformada com a falta de diálogo e soluções de conflitos primitivas. Inconformada pela falta de lideranças positivas para o povo. Inconformada pelo conformismo da sociedade ao ver, perceber todas as questões levantadas e se calarem ou mesmo repetirem estes atos, achando que não existem outras soluções. Inconformada de escutar: “-O país não tem solução” ou “É bandido? Tem que morrer!” Tem que morrer? Se matarmos o ladrão ou o assassino, não nos tornaríamos iguais a eles? Será que a solução é punir? “Punir e Vigiar...” A maioria das sociedades assim funcionam, como Foucault descreve em seu livro. Mas o mundo não está caótico? Creio que vigiar e punir é um sistema falido e assim mesmo a população continua querendo mais punição. As pessoas deveriam ler Foucault. Não me conformo com estas questões. Acredito na educação. Acredito que em uma sociedade mais justa e solidária, a criminalidade diminuiria. Estou inconformada, triste e revoltada.
Estou tentando não me “contaminar”, mas estou me sentindo frustrada nas minhas tentativas. Frustrada, mas ainda com esperanças. Esperança... É o que me move e me dá forças a continuar. É o que não me faz desistir de fazer aquilo que acredito. Que me faz não desistir de acreditar no ser humano. É o que me faz continuar com os me valores. É o que me faz não me anular. É o que me faz continuar sonhando. Sonhar...Tenho tantos sonhos...Alguns já realizados, como conseguir me formar em teatro e em psicologia. Em construir laços fortes com pessoas maravilhosas. E ver crianças e adultos sorrindo por terem conseguido ver e viver uma outra vida, a que eles sonharam. Outros sonhos ainda estão nas “nuvens”, mas pretendo concretizá-los, como conciliar as minhas profissões. Como me sustentar fazendo o que gosto. Fazer um curso de paisagismo. Fundar uma ONG. Ver mais pessoas sorrindo e mais pessoas sorrindo...Sorrindo...Gostaria de ver este mundo caótico em harmônico. Gostaria que as pessoas se cumprimentassem nas ruas. Gostaria que os que possuem condições financeiras que auxiliassem os que não possuem abrigo, os que passam fome. Sonho também em conseguir um equilíbrio psíquico. Utopia? Creio que todas as utopias são sim atingíveis, porém difíceis. Estes são os sonhos ou desafios? Creio que os nossos sonhos para saírem das “nuvens” necessitam de força, coragem, determinação e isto são grandes desafios. Estas qualidades eu possuo, realizá-los são os meus desafios.
Se seus sonhos estiverem nas nuvens, não se preocupe, pois eles estão no lugar certo; agora construa os alicerces.
Na mesma medida em que você não pode perdoar o próximo por ser diferente, você está distante da sabedoria.
Se a tranqüilidade da água permite refletir as coisas, o que não poderá a tranqüilidade do espírito?
Ditados chineses.
Chuang Tzu